Vê-se um recorte e ajuste de perspectiva de um mapa que destaca órgãos, glândulas e veias da Terra - sua geomorfologia. Eis a Posição Topográfica Multiescala para a Bacia do Paraná e entornos com pântanos, planaltos, litorais, chapadões e depressões, no recorte mais denso populacionalmente do continente. Estruturas do relevo em múltiplas escalas são visíveis: vales, divisores, intrusões, escarpas e dolinas. Percebe-se padrões normalmente só acessíveis para especialistas.
Cores inferem geoformas em escalas locais (azul), regionais (verde) e amplas (vermelho). A mistura sugere multiplicidade de escalas: local-regional (ciano), local-amplo (roxo), regional-amplo (amarelo), todas (branco) e nenhuma (preto). Metodologicamente, cada ponto associa cores primárias com magnitudes em absoluto da desvio máximo altimétrico em diferentes escalas e de modo que desvios acima de 2 tenham máximo brilho, e iguais a zero tenham mínimo brilho. Faz-se correção gamma com expoente 0.8 para ajustar contraste. A estilização é feita no QGIS. Magnitudes são calculadas pelo algoritmo DEVmax em três escalas com janelas em pixel: local (20 à 100, saltos de 10), regional (100 à 1.000, saltos de 100) e ampla (1.000 à 10.000, saltos de 1.000). O modelo de elevação é o FABDEM. (LINDSAY, 2015)
A imagem surge do Grupo de Neogeografia do Pedal Hidrográfico - coletivo com o projeto de tatear paisagens no organismo urbano de São Paulo. A soma da consciência geomorfológica oferecida pela imagem junto à informação de esforço ao movimentar-se pela cidade cria em cada pessoa do coletivo algo qualitativamente diferente de qualquer um dos dois isoladamente. A participante não vê a geomorfologia — ela a atravessa, com o corpo sendo instrumento de medida. A subida que aparece como transição de cor no mapa e como pico no perfil de esforço se torna uma experiência muscular concreta durante o pedal. A informação científica migra da escala conceitual para a escala corporal numa sinestesia única. Esse é o diferencial do objetivo de divulgação científica que é proposto: não a contemplação da geomorfologia, mas a sua habitação. (BERNARDINELI, 2025)
BERNARDINELI, D. L. et al. Relevo enquanto Memória: O Pedal Hidrográfico em São Paulo. Centro de Estudos do Museu da Pessoa, 2025
HAWKER, L. et al. A 30 m global map of elevation with forests and buildings removed. Environmental Research Letters, 2022
LINDSAY, J.B.; COCKBURN, J.M.H.; RUSSELL, H.A.J. An integral image approach to performing multi-scale topographic position analysis. Geomorphology, 2015